Miss Prostituta 2012: Amazonas Faz História com Suruba de Autoestima

Em Manaus, quinze garotas de programa disputam beleza, visibilidade e R$ 3 mil em pleno casarão histórico – porque empoderamento também pode ter calcinha de renda

Faixa, salto, brilho e muita sinceridade profissional
Faixa, salto, brilho e muita sinceridade profissional

Depois do icônico e inesquecível evento maranhense batizado com toda a sutileza de Noite da Xoxota Louca, agora é a vez de Manaus mostrar que também sabe organizar um desfile de respeito – e com muito mais sinceridade na passarela. A capital amazonense realiza neste sábado, pela primeira vez, o já lendário (e muito necessário) Miss Prostituta 2012.

O evento será realizado num prédio histórico ao lado do Porto de Manaus, cenário perfeito para o desfile mais honesto que essa cidade já viu. Esqueça concursos de “garotas da laje” ou “musas do tráfico” – aqui a coisa é direta: calcinha, coragem e corre.

Organizado pela Associação de Prostitutas do Estado do Amazonas – carinhosamente conhecida como As Amazonas (com duplo sentido involuntário ou não) – o concurso integra a programação do Dia Sem Preconceito, promovido pela Fundação Doimo e Rede Uai. Porque sim, até na luta social tem que ter brilho, salto 15 e muita purpurina no discurso.

Segundo Denise Mara, presidente da associação, o concurso vai além da faixa e da grana. “Temos mais de 500 mulheres na associação. Estamos aqui pra garantir direitos, proteção e também mostrar que mulher puta não é sinônimo de mulher sem valor”, disse ela, com a firmeza de quem sabe onde pisa – mesmo que seja em chão de motel.

Quinze candidatas concorrem ao título de Miss Prostituta, com idades entre 19 e 50 anos, provando que sensualidade, dignidade e bunda empinada não têm data de validade. O prêmio é de R$ 3 mil, o suficiente pra muitas resolverem contas, sustentar filhos ou dar aquela repaginada básica no guarda-roupa de guerra.

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Maria Betânia Carvalho, 30, três filhos e um companheiro fixo há seis anos, é uma das favoritas – e a mais empolgada com o desfile. “Nunca fiz isso, mas estou achando o máximo. Meu marido sabe da vida que eu levo. Comigo é tudo jogo limpo”, afirmou, já maquiada, com glitter no olho e dignidade na fala.

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Amanda Medeiros, 45, não tem tempo pra romantismo. “Entrei por necessidade. Minha casa tá desabando. Preciso do dinheiro. Minha família sabe e respeita. Tô aqui pelo prêmio, não pelo glamour.” Honesta, direta e sem tempo pra drama – como manda o manual de sobrevivência de toda profissional do sexo que se preze.

Enquanto muitos tentam esconder esse lado da realidade debaixo do tapete da hipocrisia, Manaus joga luz, microfone e faixa nesse universo, mostrando que dignidade também pode vir com salto, decote e nome de guerra.

E se a sociedade ainda não sabe lidar com isso, problema da sociedade. As Amazonas já sabem quem são — e agora também querem a coroa.

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